12.6.10

Bolinho Caipira de Jacareí

Bolinho da vó Nicota


Nos anos 50, quando eu era menininha, uma diversão eram as quermesses no Largo da Matriz de Jacareí, nas ocasiões de festas religiosas, e a grande festa era no dia 8 de dezembro, dia a Imaculada Conceição, padroeira da cidade.
Na pequena cidade de interior do Vale do Paraíba, com a população predominante católica, havia motivos para celebrar os santos. Era motivo também para as pessoas se encontrarem, escutarem a banda tocando no coreto enquanto as crianças brincavam no jardim de canteiros de rosas. Isso acontecia depois da missa. Lembro-me que quando estava dentro da igreja já sentia o cheiro vindo lá de fora e o burburinho dos que estavam montando as barracas.

quermesse no largo da Matriz

E tinha procissão. Na Semana Santa, depois da procissão e da missa tinha quermesse. Durante todo o mês de maio havia homenagem à Virgem Mãe, quando as crianças vestidas de anjinhos (e eu fui muitas vezes um deles) depositavam flores nos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição, no altar da Matriz, e depois tinha quermesse.

Em junho aconteciam as festas juninas, além da quermesse do Largo da Matriz as pessoas organizavam festas com fogueira nas casas e soltavam balão. Meu tio Gerson fazia grandes balões coloridos de papel de seda e soltava nas noites de Santo Antonio, São João e São Pedro, lá no quintal da minha avó para alegria de todos, era uma grande emoção ver os balões subindo até sumir aquele pontinho luminoso no céu se misturando com as estrelas.

Na casa da vó Nicota tinha um fogão a lenha, que me recordo, sempre aceso, ela fazia doces e compotas em grandes tachos, eram doce de mamão verde, de abóbora, de laranja, e o cheiro de cravo e canela exalava na casa toda.
Mas minha avó era famosa pelos bolinhos caipira que preparava. Nas quermesses da Matriz lá ia ela, minhas tias, minha mãe e as amigas com os apetrechos montar a barraca e preparar os bolinhos. Era grande movimento dentro da barraca para atender a fila de fregueses. Nunca me deixavam ficar dentro da barraca porque eu era pequena e podia ser perigoso, levavam um fogão e fritavam na própria barraca, espalhando o cheirinho típico por toda a praça. O bolinho saia crocante e quente, feito para aquecer o corpo e os corações.

Depois, quando adolescente, no colégio faziam festas juninas, e minha mãe, como professora de Artes, era uma das organizadoras dessas festas, preparando enfeites e criando brincadeiras para os alunos e suas famílias. E lá também era montada uma barraca de bolinho caipira. Várias pessoas ajudavam, era a barraca mais concorrida. A renda dessa barraca era para a festa de formatura, naquele tempo do então Ginásio.

colégio Silva Prado

Para minha mãe esse bolinho tem sabor de namoro. Ela se formou professora, deixou sua cidade, Botucatú, para lecionar em Jacareí, morava num pensionato para moças quando conheceu meu pai, filho de Edo e Nicota. Quando ele ia namorar levava bolinhos caipira quentinhos que minha avó tinha acabado de fritar. E foi assim que ela, curiosa, foi aprender com a sogra a preparar os bolinhos. Foi assim que ficou herdeira da receita e também participou da divulgação do bolinho. Não existia festa em nossa casa que não tivesse os bolinhos.

O sabor daquele bolinho está na minha memória, nunca mais encontrei nada parecido, parece que a alegria das festas tinha a ver com aquele gostinho de farinha de milho branca misturado com carne de porco temperadinha. Uma verdadeira delicia.

Minha mãe continuou com a tradição da familia, fez muitas e muitas vezes o bolinho, sempre presente lá em casa. Depois fez mais muitas e muitas vezes para meus filhos cada vez que ia ver os netos.

Eu aprendi a fazer, mas acho que não tenho "a mão", não fica nem parecido com o que a vó Nicota e a mamãe preparavam, aquele gostinho de infância. Será por causa da farinha? da carne? do óleo? da panela? do fogão? Será por causa da simplicidade que não mais existe?

Hoje vejo inúmeras variações de receitas de bolinho caipira, acrescidos de outros ingredientes, pode até ficar bom, mas gostoso mesmo é aquele com a lembrança do afeto de quando era criança.

Assim são as receitas, de uma criação surgem várias versões, cada cozinheiro dá o seu tom. As tradicionais são as básicas, o que não impede que as novas criações e mesmo as releituras das antigas receitas possam surpreender.
Porém, importante é saber a história, preservar a memória e conservar o que nossos antepassados nos legaram. Por isso, a receita da minha avó Nicota, a dona Ana Rita Leite Gehrke, é mantida como foi criada e continua, para mim, a mais saborosa.

vó Nicota

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22.5.10

minhas casas


Há um tempo atrás fiz um post no meu outro blog sobre as minhas mudanças de casas e de cidades, está lá no Juju, meu primeiro blog que comecei em 2006.
Gosto de arrumar a casa, ter perto de mim coisas que me dão prazer e criar um ambiente aconchegante. Na foto acima tem alguns pedacinhos das várias casas que vivi. Acho uma delícia mudar, a possibilidade de começar tudo de novo dá ânimo para reinventar a vida, até as coisas velhas, quando desencaixotadas na mudança, nos parecem novas na nova casa. 
Trabalho há mais de duas décadas na área de decoração e design de móveis, e quando chego na casa nova fico cheia de idéias para arrumar tudo diferente. Por isso fiz um blog para falar de mobiliário e de design de interiores, publicando O Móvel estou sempre encontrando inspiração para deixar minha casa mais bonita e gostosa.
Faz pouco mais de uma ano que viemos de São Paulo para Salvador. Pronto, motivo para outro blog! Para contar nossa vida por aqui, nasceu o Juju na Bahia, nosso estilo de vida simples e tranquilo nesta cidade maravilhosa de Salvador.
E ainda tem um quinto blog! Pensaram que tinha acabado? Escrevo e mostro as coisas que observo no dia-a-dia, coloco minhas fotos, que é outra mania, fotografia. Este é o A a Z.
Sou eclética, tantos temas me interessam que não cabem num blog só. Talvez apareçam mais por ai...rs.

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Depois desta 'breve introdução' vamos ao assunto deste post: as casas que já vivi. 
Foram muitas mudanças, com isso minhas coisas foram aumentando e diminuindo, fui deixando espalhadas muitos dos meus móveis, objetos, utensílios, quadros e livros. Algumas coisas simplesmente jogadas, outras doadas, algumas vendidas, muitas ficaram com meus filhos, com meus irmãos, com meus ex-maridos e outras pessoas da família e amigos.
Hoje, numa casa de praia, frente ao mar, no estilo baiano de ser, com o privilégio de estarmos numa cidade grande com tudo que ela oferece, a simplicidade é um prazer. Para mim, a medida que vou ficando mais velha, noto que cada vez preciso de menos coisas para me sentir bem. Basta conforto e aconchego.
Esta casa baiana é a vigésima quarta casa que eu moro, isso mesmo 24 mudanças! 
Antes do me casar morei em duas casas, durante meu primeiro casamento que durou oito anos, moramos em seis casas. Separada morei com meus dois filhos em um apartamento. No segundo casamento, em dezenove anos moramos em três casas. Depois que me separei passei por seis casas, inacreditável, nem sei como foi isso! Com Tunico esta é a quarta casa. 
Nasci em Jacarei nos anos 50, estudei em São Paulo nos anos 70, morei em São José dos Campos de 78 a 85, em Campinas de 85 a 2005, no Arraial d'Ajuda em 2006, em Aracajú em 2006 também, voltei para Campinas em 2007 e depois para São Paulo em 2008, agora Salvador é a sétima cidade.
Não temos nenhum plano de mudança, pelo contrário, viver aqui, nesta casa, por muito tempo é o plano, mas se, por acaso, tiver que mudar vou enfrentar numa boa.
Quando fiz 50 anos, minha filha me deu uma linda caixinha de madeira, a madeira é presente na minha vida, o pó de serra da marcenaria entrou no meu sangue. No cartão ela escreveu uma frase que disse que sentia que me definia: "Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira"(Cecília Meireles) 
*



5.5.10

há 34 anos atrás...

... eu comecei a aprender a ser mãe... nasceu Gustavo! 

era dia 6 de maio, bem no meio de uma tarde de céu azul chegou este presente!

e no próximo sábado, dia 8 de maio, meu filho completa um ano da aprendizagem dele de ser pai.

Feliz Aniversário meu filho!

sou muito feliz e grata de ter você na minha vida!



3.4.10

uma fábula atual

Este desenho é do livro  TILAPITA de Agostinho Gomes, onde o autor se retrata menino.

Agostinho Gomes tem talento em várias áreas, é um artista multifacetado, desenha, pinta e borda, é designer, paisagista, escreve bem, é empresário, um homem do mundo, admirado, carismático, divertido, afetuoso, e é meu grande amigo de muito tempo...

No início do ano, quando esteve aqui em casa, Agostinho me deu um exemplar do seu primeiro livro infantil, onde criou a história e desenhou com muito estilo uma fábula para as crianças dos nossos tempos, para desenvolver a consciência ecológica.

Mostro aqui algumas páginas do livro que fotografei especialmente para o blog.







Reparem nas cores, nos traços, tudo é atraente e de bom gosto, notem os detalhes

O menino lê o livro Tilapita

e é a cara do autor, não é?

a dedicatória

mais trabalhos do meu amigo no site dele www.agostinhogomes.com.br